domingo, 11 de outubro de 2009

Itinerário Habitual - Parte III

Não se perca neste itinerário...

“Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois”
(Alberto Caeiro)


No dia posterior ao encontro dos olhares, Marina acordara com uma estranha sensação. Um estímulo para usar uma roupa mais bonita ou arrumar os cabelos de um jeito diferente. A garota nunca se importou em impressionar os outros com a forma que se vestia. Para ela, pouco importava se a achavam bonita ou não. Preferiu não fazer alarde e continuou com o habitual.

O dia passou rápido. Imersa em seus próprios pensamentos (‘Qual será o nome dele? ’), a garota passou a tarde no estágio e de lá fora direto para a faculdade. Enquanto o professor falava sobre realidade educacional, Marina se questionava sobre a própria realidade. Sempre soubera o que fazer em diversas situações, mas depois daquele encontro, não sabia se ainda teria coragem de pegar o mesmo ônibus, apenas para evitar um reencontro.

Dez e meia. Correu para a Rua da Consolação. Entrou no ônibus. Ele já estava lá. Vestia uma camiseta branca, bermuda e tênis sem meia. A barba estava por fazer. E os olhos, mais azuis do que antes. Mais uma vez, a garota desviara o olhar. Porém, sentou-se bem próxima ao rapaz.
Abriu seu Caeiro e fingiu ler. Ela queria ouvir mais uma vez o som daquela voz. Reparou nos braços do rapaz. Havia uma tatuagem no braço esquerdo. A essa altura, ela já imaginava ver o resto do desenho. Tentou se concentrar. Inútil tentativa.

‘Deixe de ser ridícula’, pensou. E de tanto pensar, perdera mais uma vez o ponto. Novamente desceu na Brigadeiro. O Rapaz desceu logo atrás. E se ela diminuísse o passo para ele acompanhá-la? E se ele achasse que ela fazia tudo aquilo de propósito?
Julgou-se mais uma vez sonhadora. A realidade um dia a pressionaria a tomar uma atitude mais sensata, mais real e menos fantasiosa.

De repente, ouviu uma voz: ‘Oi, tudo bem? Qual é o seu nome?’

Inerte, perante aquelas palavras, ela só conseguia admirar aqueles olhos. Agora, um pouco mais de perto...

2 comentários:

Marcelo Mayer disse...

"tudo bem? qual seu nome? ah, legal, marina, sabe onde chego nesta rua?"

Picles disse...

é.. eu quero saber o que aconteceu em seguida!!!